Pós-modernidade e apropriação




Durante séculos e milênios a humanidade teve como principal tema de observação a natureza e todos os seus elementos. Suas representações eram sempre voltadas ao natural e ao bucólico. Seus produtos eram criados com base na observação do natural e aplicações de soluções percebidas na própria natureza.


Estranhamente e sem saber exatamente o por que, a humanidade tomou um rumo diferente, não tomando mais como ponto de partida a natureza, como anteriormente fazia. Agora surge algo chamado de apropriação, a própria alma da pós-modernidade.

Conceito simples mas que gera discussões e polêmicas.


Primeiramente, o que é pós-modernidade? A Era Moderna acabou em algum momento do século 20 e desde então o mundo vive na chamada pós-modernidade, com uma arte pós-modernista, sob a filosofia do pós-modernismo e em condições sociais, políticas e econômicas pós-modernas.


Artistas, pensadores e historiadores defendem que a ascensão do ceticismo, da subjetividade e do relativismo na nossa forma de pensar, juntamente com a crescente desconfiança em relação à razão, o fracasso das ideologias e as mudanças nas formas de acumular capital marcaram uma nova etapa para a humanidade, com sérias implicações na filosofia, nas artes, no comportamento, na economia, na política.


De acordo com o intelectual marxista Fredric Jameson, o pós-modernismo representa uma nova fase do capitalismo, em que uma série de transformações tecnológicas impactou na ascensão de novas formas de relação de consumo e de movimentações do capital financeiro. Podemos resumir isso como uma série de transformações culturais e sociais (pra não dizer em todas as áreas) numa velocidade e num grau nunca antes vivenciados pelo homem.


Um dos aspectos mais destacados do pós-modernismo diz que as suas manifestações estéticas não defendem a arte como uma forma superior de experiência, fruto da genialidade. Como na teoria pós-modernista nada mais pode ser original, pois como tudo já foi feito, a arte funde-se à vida cotidiana e está em toda parte. Mas estas e outras características do pós-modernismo na arte já estiveram presentes em outros momentos históricos, talvez tendo como diferença o fato que nos tempos contemporâneos isso acontece com um alcance e uma intensidade infinitamente maiores, literalmente globais.


Há autores que defendem que o pós modernismo teria surgido em função do avanço das tecnologias da comunicação que possibilitaram, entre outras coisas, uma movimentação internacional extremamente veloz do dinheiro. Ele seria fruto também do surgimento de novos centros financeiros e de novas classes sociais, além da mercantilização da cultura, principalmente pelos meios de comunicação de massa, ao mesmo tempo em que o consumismo deixou de se limitar aos produtos industrializados e alcançou também estilos, imagens e gostos. Vender para minoritárias classes de estilos distintos tornou-se um rentável negócio.


Com o advento da internet, meios de comunicação em massa, o que poderia ser uma solução para o progressivo isolamento do homem, torna-se um grande aliado para isso. Não é necessário sair de casa para rever aquele velho amigo que mora a kilometros de distancia, ou para falar com aquele amigo que mora no apartamento do lado. O individualismo passa a falar mais alto, as minorias são valorizadas, cada estilo, cada forma de pensar, torna-se uma alternativa para preencher as prateleiras com "o produto que é a sua cara".


Um artista coloca um urinol em um museu, assina e chama de obra de arte. Um país dito de primeiro mundo, considera que os governantes de um outro país menor não conseguem manter a ordem no seu governo, e se apropriam do territorio, do povo, para assim instaurar a tão sonhada democracia. A apropriação se tornou comum no mundo pós-moderno.


Pode parecer engraçado, mas podemos falar de apropriações de identidade, que antes eram sequer imaginaveis, e hoje são muito comuns, vistas em comunidades virtuais, jogos online, com uso de nicknames, etc. Hoje em dia, é muito comum ver pessoas que tiveram seus perfis em comunidades virtuais clonados ou roubados, pessoas que assumem a identidade de outras pessoas para aplicar golpes. Para um "blogueiro", ou "orkuteiro", é tão importante alimentar o seu profile no orkut com informações, quanto escolher uma boa roupa pra sair na rua, ou talvez mais importante, para algumas pessoas que têm ali uma projeção das suas inquietudes e descontentamentos pessoais. Mais do que apropriação literal, é uma apropriação seletiva, onde tudo que é interessante e satisfaz o que procuramos é aproveitado, mas o que não se encaixa em algum requisito é descartado ou omitido.


Uma serie de imagens da Mary Monroe repetidas em cores fortes é o exemplo classico da apropriação na arte pós-moderna. Uma copia do real (fotografia) manipulada, alterada para satisfazer e criar estimulos diferentes dos que a "verdadeira" conseguiria causar. Essa cópia torna-se talvez mais interessante e cativante do que a original, quando o mundo vivia um contexto de mudanças radicais, ela causou indignação, duras críticas, foi motivo de encantamento e também de curiosidade. Trata-se do "real aumentado", maquiado para aparentar ser mais real e bonito do que é.


Um dos mais interessantes conceitos que praticamente surgiu na pós-modernidade é a idéia de apropriação. O que antes seria considerado plágio ou mesmo roubo agora é tido como aceitável e até foram criadas leis que, de certa forma, permitem a apropriação.


A lei de Creative Commons exemplifica essa nova era. Conforme o conceito apresentado em seu projeto, "O Creative Commons disponibiliza opções flexíveis de licenças que garantem proteção e liberdade para artistas e autores. Partindo da idéia de "todos os direitos reservados" do direito autoral tradicional nós a recriamos para transformá-la em "alguns direitos reservados"."


Esse conceito já gerou muita polêmica e críticas, tanto há algumas décadas como em períodos mais recentes. No passado Marcel Duchamp apropriou-se de algo completamente banal, um urinol e colocou-o em lugar de destaque, numa exposição em um museu com o nome de "Fonte", em 1917. De forma semelhante Willyans Martins, conhecido como "ladrão de graffiti", apropriava-se de algo que já encontrava pronto pelas ruas da cidade de Salvador, Bahia, e levava para dentro de exposições, assinando como obras suas os graffites feitos por outras pessoas. Mas ele assinava como suas obras o graffiti ou o seu recorte da identidade urbana marginalizada e transportada para um local de exposição?


Entendendo o conceito de apropriação, onde qualquer coisa pode ser considerada obra de arte a partir do conceito presente em sua apresentação, surgiu uma dúvida sincera que foi representada de forma visual. A pintura da Monalisa, a Gioconda, foi originalmente feita no período de 1503 a 1506 por Leonardo Da Vinci, pintor renascentista. Marcel Duchamp apropriou-se da imagem da Monalisa e colocou bigodes nela, criando mais um ready-made, o L.H.O.O.Q., de 1919.


Agora vem a pergunta mais difícil de ser respondida. Se uma obra alterada é uma outra obra ela pode ser assinada por uma outra pessoa, como a própria história já demonstrou e não discordou. A Monalisa de Duchamp seria completamente igual à Monalisa de Leonardo Da Vinci se tivesse os bigodes retirados, mas sem dúvida alguma não é a de Da Vinci, mas a de Duchamp alterada. Ela seria uma nova obra, a de Duchamp ou de Da Vinci? Tendo como base a própria história, talvez ela fosse considerada nova, apesar de ser completamente igual a uma obra já existente.


[Gabriel Cayres e Elderlan Souza]

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Referências Bibliográficas:

  • SANTOS, Jair ferreira dos, O que é Pós-Moderno, 2002, 21ª reimpressão da 1ª edição, editora brasiliense
  • http://www.creativecommons.org.br/
  • http://artistapratico.blogspot.com/2007/09/o-ladro-de-graffiti.html
  • http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=termos_texto&cd_verbete=3182

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COMENTÁRIOS

2 comentários:

  1. Ah, o Futebol,
    paixão tipicamente brasileira
    made England
    nada é como antes,
    nunca foi
    somos mutantes

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  2. Produção de texto massa!
    eu que nem sei
    escrever tórax (nunca sei onde vai o acento,
    se é que ainda tem)
    vai peito mesmo.

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